quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Lupicínio Rodrigues; 100 Anos de Dor-De-Cotovelo

Cantor, compositor, artista? “Não sou nada. Eu sou boêmio.” Afirmou Lupicínio com muita perspicácia numa entrevista para O Pasquim nos anos 70. Que sua voz nunca foi das melhores, isso é perceptível, porém isso não nega de forma alguma o fato de Lupicínio Rodrigues ser uma das mais importantes, lendárias, complexas e interessantes figuras da música popular brasileira. Gaúcho de Porto Alegre, Lupi, Como era mais conhecido entre os chegados, era o quarto filho de uma família de 21. Começou a trabalhar cedo como auxiliar de mecânico e desde os 14 anos já freqüentava rodas de samba acompanhado do violão e escrevendo as primeiras composições.

Lupicínio descreveu de maneira poética, dolorosa e profunda a crônica da vida noturna, dos bares, a tragédia que não tem vez e as desilusões e os sonhos perdidos de quem sofre por amor. E é por essas e outras mais que ele se tornou o criador do termo dor-de-cotovelo, popularizado até hoje. Canções como Nunca, Nervos de Aço, Loucura, Quem Há de Dizer, entre outras, mostram o verdadeiro retrato da vida real de suas personagens e até da sua própria. Destaca-se por ser um sucesso fora do eixo RJ-SP, passou pela capital carioca apenas alguns meses para conhecer o ambiente. Porto Alegre era seu paraíso, seu berço, sua inspiração. Apaixonado também por futebol e fanático torcedor do Grêmio, o poeta da noite foi ousado e fugiu certas vezes dos temas sentimentalóides e melancólicos e compôs o Hino do time do coração e marchinhas de carnaval.

Enfim, passaram-se 100 anos e suas melodramáticas letras ainda fazem parte da trilha sonora de todas as camadas, sejam altas ou baixas, mas que, acima de tudo, amam intensamente. Lupicínio é único na maneira de compor seus versos e sua melodias e tratar seus dramas. Hoje, 16 de setembro, o cancioneiro popular regará 100 flores para o poeta-boêmio ao som de suas magníficas criações. Ahh! Lupicínio, Se acaso você chegasse  para viver outra vez ao nosso lado, pois, apesar de  passados tantos anos, sua cadeira ainda está vazia. E, pelo visto, continuará.


Eltonn Moreira

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Bruxo E Sua Capa

Ao apreciar o DVD Capa Preta Ao Vivo do poeta-bruxo-trovador caririzeiro Júnior Cordeiro, já chego a seguinte conclusão, é deveras impossível ficar imune ao fascínio que exerce esta obra prima desse artista ímpar. A construção imagética das suas canções parte de uma mistura quase que psicodélica pelo blues e rock progressivo com a cantoria de viola vinda da Península Ibérica e tão cultuada no nosso cenário nordestino. Tal fascínio provoca em nossas cabeças riquíssimos tumultos ideológico-culturais quando nos deparamos (nesse caldeirão) com porções de imaginário popular e catolicismo rústico e sertanejo.

Jr. Cordeiro se firma como um corpo estranho meio incoerente e multicolorido quando o assunto é o cenário tão plasticamente uniforme dessa música popular (digo de massa) tanto a nordestina como a brasileira como um todo. Jr. Cordeiro põe o pé numa estrada que vai muito além do nosso tempo, porém sempre carregando nas costas suas raízes, crenças, tradições e coisas do “ouvi falar” do nosso povo. E é tudo isso que o torna um polígono de inúmeros lados, um espelho de múltiplos reflexos, um caleidoscópio de cultura. O poeta Flávio Petrônio foi felizão dizer “Jr. Cordeiro se confunde com seus personagens.” Pois bem, ele é criador e criatura atuando na mesma cena simultaneamente destruindo rótulos e roteiros pré-concebidos, ele é bruxo e santo. No palco ele é o súdito recebendo o bastão do mestre  Cipriano.

O DVD Capa Preta é para, de uma vez por todas, nos inebriar com sua excelente e figurativa concepção-histórico-filosófica-surreal-esotérica e para nos abastar de absurdas magias. Depois disso, meus amigos. Só tenho uma coisa a dizer;  Jr. Cordeiro não é para ouvidos obtusos.

sexta-feira, 18 de abril de 2014


"O crepúsculo no campo é tão bonito
Que até Deus se debruça pra olhar."

Na visão seminua da poética
Decantada numa lira magnífica
A canção vai soando beatífica
E o poeta deleita-se na estética.
A natureza estende-se imagética
Quando o artista maior vem despertar
Um vislumbre que adorna o meu pensar
Que tão pasmo se perde no infinito
O crepúsculo no campo é tão bonito
Que até Deus se debruça pra olhar.

Glosa: #Eltonn_Moreira
Mote: Geraldo Amâncio, poeta cearense.

sábado, 31 de agosto de 2013

Preconceito à brasileira

Existem pessoas que possuem uma inefável habilidade pra falar babaquices. Esses tipinhos são aqueles que quando abrem a boca se esquecem de acionar o cérebro. De acordo com as declarações que ao longo dos tempos vêm fazendo, nós percebemos logo de cara que são especialistas em idiotices da palavra e têm PHD em BABACOLOGIA APLICADA. Vou citar só alguns pra gente não esquecer. Ei-los,

01- "Sou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo porque sou uma pessoa de Deus." Joelma da Banda Lixo Calypso (Que Deus é esse que ela pertence, hein? Está mais pra Satanás)

02- "Não se faz Copa do Mundo com hospitais." Ronaldo Fenômeno (Sé se for fenômeno de BURRICE)

03- "Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil, todas essas manifestações, e vamos pensar que a Seleção Brasileira é o nosso País, nosso sangue, e não vamos vaiar, vamos apoiar até o final." Pelé, o atleta do século. (Pra mim é o jumento do século, a besta do século ou idiota do século) Com todo o meu respeito aos pobres dos jumentos e as bestas.

04- "Essas médicas cubanas tem cara de empregada doméstica." Micheline Borges, uma jornalistazinha de meia pataca com um espírito elitista, fascista, nazista, racista e outros istas que couberem à sua declaração. Ela perdeu a oportunidade de ficar calada. Foi muito infeliz no seu comentariozinho preconceituoso. Julgando pessoas pela aparência só pelos simples preconceito.

Srta. Micheline Borges, você é uma dessas que nos envergonha. Ainda por cima mal sabe que a palavra "Tem" na sua postagem deveria vir com um acento circunflexo. Se você queria fama e algumas curtidas no facebook, deveria pelo menos saber que o verto "ter" na 3a. pessoa do plural do presente do indicativo possui acento circunflexo. Bem como seus compostos deter, reter, conter. Uma jornalista, profissão que trabalha com a língua. Que coisa feia, Dona Micheline Borges.

Me perdoe se for preconceito, mas a Srta. tem cara de imbecil analfabeta e racista.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani Sanchez , Qual bandeira você levanta?


Nos últimos cinco dias em qualquer jornal que se abra, qualquer rede social que se acesse e qualquer telejornal que se sintonize, não se fala noutra coisa a não ser sobre a visita da blogueira e ativista cubana mundialmente famosa Yoani Sanchez.

Esta é a mais nova Poptologia do momento, superou até a audiência da  renúncia do Papa Bento XVI. Isso num país majoritariamente católico. Como era de se esperar ela causou e causa deveras um verdadeiro furor em qualquer lugar que visite, seja por admiradores ou por manifestantes contrários à sua posição enquanto jornalista e principal opositora da ditadura cubana dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

No Brasil não poderia ter sido diferente, ou debaixo de vaias ou aplausos, a celeuma foi imensa, mas pelo que me parece, a dissidente divertiu-se à bessa e disse que levará boas lembranças do Brasil como um país democrático. Bem, parafraseando o grande Raulzito eu digo que se é democrático eu não posso afirmar, mas que parece democrático isso eu afirmo plenamente. Porém, o que me deixou intrigado até o momento é que ao assistir algumas entrevistas da blogueira, principalmente a da TV Senado na qual estava acompanhada do senador Eduardo Suplicy do Partido dos Trabalhadores, é que a tão famosa ativista pareceu muito mais preocupada com futilidades do que realmente com a tal reforma política que ela tanto defende para seu país.

Eu não acredito muito nessa face revolucionária que ela tenta transparecer que defende. Esse engajamento político parece pouco oxigenado quando percebe-se que, em determinados momentos, ela se revela muito mais um instrumento do capitalismo americanizado do que propriamente uma revolucionária e defensora da liberdade de expressão e tão sonhada democracia para o  povo cubano quando tenta convencer cuba e o resto do mundo que os Estados Unidos não são sempre o Lobo mau das estorinhas. A todo o momento, ela só falava em implantar o McDonald´s e a internet, enquanto os tais assuntos e posições defendidas no blog Generación Y viraram pautas muito secundárias no decorres da sua fala. Mas é claro, isso não me surpreende nem um pouco, pois o seu twiter possui uma ascensão avassaladora tendo cerca de 420 mil seguidores, e desses apenas 32 são compatriotas. Na minha opinião isso é, no mínimo curioso. Em entrevista a Folha De São Paulo, Yoani Sanchez disse que seria muito feliz se vivesse no Brasil, mas não especificou claramente o motivo. Acredito que seja pela grande força que temos nas redes sociais.

Depois de acompanhar boa parte da sua trajetória eu fico aqui tentando imaginar os irmãos Castro passeando pelas ruas de Havana com seus notbooks e saboreando um delicioso hambúrger com batata-frita enquanto os Out Doors exibem uma foto de Yoani Sanchez para presidente da sua tão amada República Insular.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Que cachorra é essa?


Que a atual política serrabranquense anda assaz efervescente nos últimos 15 dias isso eu não preciso relembrar. 

As coisas andam saindo um pouco do controle. É notório que a campanha deu um certo cochilo nos primeiros dias, onde até, certos eleitores com fumos de analistas políticos, diziam achar a campanha burocrática para não dizer sem graça. Verdade é que, de tanto cutucarem, acabaram acordando quem dormia e, de uns dias pra cá, a politicagem vela noites e mais noites de baixarias. É o que eu costumo chamar de junção do útil com o fútil. Ou seja, é aquela política de baixíssimo nível que nos rodeia desde os tempos mais remotos. 

Vizinho briga com vizinho, colegas começam a não se aturar mais e a não respeitar as cores que o outro defende, as redes sociais se transformaram num depósito de vernaculismos eleitoreiros e troca de farpas entre pessoas que nem sequer possuem título de eleitor.  Enfim. Como dizem os mais antigos e sábios do assunto; “Em política vale tudo.” Espera aí. “Tudo” mesmo? Não. Não é necessário tanto exagero.

Eu até relevo e tolero os xingamentos, as agressões, as insinuações, as falsas promessas, e até, os comentários miúdos e, muitas vezes rente ao chão, que estamos acostumados no dia-a-dia. Todavia, há determinadas coisas que, sinceramente, não dá mesmo pra “engolir” como diria o grande Lobo Zagallo. 

O que me obstrui a garganta, meus caros são essas tertúlias de pessoas pobres de espírito e despidos de cultura que, influenciados não sei por quem (e nem quero saber), usaram o seu poder “imaginativo” e inventaram a tal estória da CACHORRA para concorrer às eleições do nosso município. 

Apesar  de tudo o que já ouvi falar do assunto, por essa eu não esperava. Não que uma cachorra não mereça todo o carinho e delicadeza no trato, porém a tonalidade em que a palavra cachorra foi pronunciada me soou com um certo nuance de menoscabo. 

Talvez na intenção de exaltar um candidato e vilipendiar outro por ser supostamente inferior e não ter capacidade de ganhar nem pra uma cachorra. Claro que isso é apenas uma opinião pessoal, mas a verdade é que a conversa caiu na boca do povo e, em qualquer lugar que se fala de Serra Branca, sempre aparece um engraçadinho com fina ironia e humor negro pra perguntar: “Ah, então você é da cidade que quer uma cachorra pra governar?” Sinceramente, chegou ao cúmulo do analfabetismo político. Isso sim é a maior prova de que o eleitor pouco entende de política para o bem coletivo e muito menos ainda de democracia. 

A menos que eles estejam falando da cachorra Baleia, personagem importantíssimo da literatura brasileira criada por Graciliano Ramos no seu principal romance Vidas Secas. Baleia sim tem um colorido especial, tem personalidade forte, tem individualidade, plenitude de virtudes e sentimentos,e  o melhor, Baleia possui grande força física, determinação e sabe muito bem se agigantar quando o assunto é lutar e prezar pelo bem de todos os que a rodeiam.

Mas será que desta cachorra que eles tanto falam?
Duvido muito.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mercantilismo Eleitoral


Como todo cidadão que preza pela boa conduta e luta contra a corrupção, sou totalmente a favor da proibição da compra de voto e ludíbrio de eleitores mal informados da situação política e social vigente. Todavia, o problema não está somente no simples fato de defender a idéia de que os políticos são os opressores de colarinho branco nem tampouco de que os cidadãos são as vítimas dessa suposta opressão. Tendo em vista esse assunto e observando por um prisma pessoa, lembrei de um fato ocorrido a pouco tempo numa mesa de um certo bar próximo a praça central serra-branquense. Relatá-lo-ei com precisão e o caro leitor, a partir de tal relato, irá tirar suas conclusões.

Já passava das 22h e adentrei no recinto na intenção de bater um papo e saber os resultados da rodada do brasileirão. Ao sentar-me, percebi uma mesa com dois rapazes e um garoto de mais ou menos sete ou 8 anos que tomava refrigerante e comia salgadinhos. Os dois adultos falavam de política e bebiam cerveja. Depois de umas quatro ou cinco garrafas, um perguntava em quem o outro votava.

- Não sei, mas acho que só voto em quem me ajudar. Dizia. E você?
- Eu digo o mesmo. Candidato esse ano vai ter que mexer nos bolsos pra ganhar meu voto. Respondia o outro enquanto pedia mais uma cerveja ao garçom.

A criança observava sem saber o que estavam falando. Alguns minutos depois um candidato a vereador entra no recinto acompanhado de alguns outros. Ele cumprimenta cada pessoa ali presente e, ao chegar na mesa dos dois indivíduos, é convidado pra sentar. Senta-se e pede uma copo, é atendido e, logo após um gole, começa a discorrer suas propostas caso seja eleito. A partir daí um dos rapazes começa a repetir seu discurso, colocando assim o seu voto a negócio. O outro lhe secundava sem lhe disputar a primazia. No começo da conversa, o candidato olhou com uma certa repugnância moral, mas bastaram mais alguns goles de cerveja para que ele fosse acometido por um  acesso de desonestidade primitiva. Já passava das 23h quando os acompanhantes do candidato resolveram retirar-se, deixando-o assim a sós com os donos da mesa. A conversa foi fluindo e chegou a um patamar onde os dois rapazes esperavam o candidato dar o seu lance ao passo que o mesmo esperava que eles pedissem um certo valor para que, a partir daí, negociassem. Após muita embromação um deles disse sem a menor sombra de escrúpulo ou pudicícia:

- Este ano eu só voto em quem me ajudar a conseguir uma carteira de habilitação.
- E eu quero um exame pra que minha mulher possa fazer uma cirurgia. Completou o outro sem pestanejar.

Ouvindo isso, o candidato pagou toda a conta, pegou o nome e o número do telefone dos presentes e da esposa de um deles e retirou-se dizendo:

- Daqui pra próxima semana eu entro em contato com vocês. Entrou no carro e saiu.

Os dois rapazes e o garoto saíram em seguida depois de agradecer o bom atendimento ao garçom que logo fez uma colocação ao me fazer a seguinte pergunta:

- Quem é o verdadeiro corrupto nisto tudo?
- Rapaz, eu só sei que existem coisas que o dinheiro não compra. Mas o voto não é uma delas. Respondi e fui-me embora.